Correção monetária ou taxa de juros: quem é o verdadeiro vilão dos empréstimos bancários

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Quando o assunto é empréstimo bancário, imediatamente vem à cabeça as altas taxas de juros e os longos prazos para pagamento. Mas poucos se atentam à correção monetária e sua relevância no momento da contratação de crédito junto às instituições financeiras no atual cenário econômico.

Com a disparada da inflação e o aumento do desemprego no país, impulsionados pela retração econômica associada à pandemia do COVID-19, houve o crescimento da inadimplência e o aumento da busca por crédito bancário.

Nesse panorama, os cuidados devem ser redobrados no momento da contratação de empréstimos bancários. A inflação reduziu o poder de compra dos brasileiros e impulsionou a variação dos índices de correção monetária, que objetivam, justamente, compensar a perda do valor da moeda.

Assim, não basta procurar a melhor taxa de juros do mercado, mas também avaliar qual índice será utilizado para correção monetária do valor emprestado para evitar surpresas desagradáveis no futuro.

A taxa de juros é sempre fixa e preestabelecida na contratação, não sendo impactada pelas intempéries do mercado enquanto em vigor o negócio. Corresponde à remuneração da instituição financeira pela disponibilização do dinheiro, ou seja, nada mais é do que a contraprestação ao banco pelo serviço prestado de “emprestar” o dinheiro.

Ao contrário disso, o índice de correção monetária sofre variação conforme a inflação, justamente porque o seu objetivo é recompor o valor da moeda. Assim, o percentual incidente sobre o saldo devedor não é fixo e, como flutua ao sabor do humor do mercado, é imprevisível.

Assim, como exemplo, suponha-se a contratação de um empréstimo com parcelas variáveis, em dezembro de 2018, com correção monetária pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), e juros remuneratórios de 3,2% ao mês. Nesse exemplo, o IPCA, em dezembro de 2018, era de -0,16% (percentual negativo), de modo que o cálculo do saldo devedor sofreria apenas a incidência da taxa de juros (3,2%).

Em dezembro de 2019, 12 meses depois, o IPCA alcançou o patamar de 1,15%, de modo que o saldo devedor, nesse exemplo, sofreria a incidência de 4,35%, correspondente à soma da taxa de juros e do índice de correção monetária (3,2% + 1,15%).

Nessa situação hipotética, o aumento do encargo mensal se deu em razão da variação do índice contratado, impulsionado pela inflação no período, que poderá permanecer em alta por período suficiente a superar o percentual de juros previsto para o ano todo.

Inclusive, a variação do IPCA utilizado no exemplo, foi uma das razões para o aumento da inadimplência dos empréstimos, em razão do aumento gradual das parcelas, dificultando ou inviabilizando o cumprimento da obrigação pelo mutuário.

Desse modo, nem sempre a taxa de juros é a única vilã dos empréstimos bancários, sendo necessário atentar-se, também, para o índice de correção monetária contratado.

As instituições financeiras, em geral, buscam compensar a variação negativa dos índices de correção monetária com taxa de juros mais altas, o que pode assustar o mais desavisado.

Entretanto, para fazer a melhor escolha é necessário analisar com atenção não apenas a taxa de juros, mas também o índice e o seu histórico de variação, para evitar surpresas no decorrer do prazo para pagamento do empréstimo bancário.

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